Algumas coisas têm de ser mais leves e algumas expectativas não são boas o suficiente para existir. Talvez olhando isso eu mesma faça mais sentido pra mim.
Aprendi hoje que retroceder no que se acredita (quando realmente acredita!) por conta de amar outro faz com que o amor destinado a mim seja menor, até o meu amor é menor por mim nesses momentos.
Não adianta fingir que não, prender as neuroses no fundo da bacia, dizer que não há, quando há, elas sobem ou quem vê por fora vê todas elas muito maiores do que quando eu admito que elas existem.
A real é que eu quero amor, quero amar e faço planos para isso, e finjo que não faço. Mas busco cercar o amor por todos os lados, cercá-lo mesmo, eu tento prendê-lo. Guardar, restringir esse amor todo pra mim. Vindo de que via vier, de que lado surgir, quero sempre que ele fique aqui. Eu que tanto prego viver livre tenho tentado prender o amor de algumas pessoas livres que amo porque são livres, tento prender o amor delas comigo, ai...
Ai, sem chance para esse amor crescer perto de mim, normalmente, ele diminui tanto que sai da minha prisão de chumbo por alguma fissura invisível e vai crescer em outro lugar, num campo verde talvez, onde haja espaço, lugar e luz sem restrições, inclusive sem restrições a minha presença, mas eu quero tanto pra mim, junto de mim, que é difícil estar nesses campos de liberdade, ou foi difícil.
Não quero mais ter que prender todo esse amor que vem pra mim, e nem tenho que fazer isso, descobri também. Quero que ele fique solto sem eu ter medo dele fugir, sem ficar vigiando pra que isso não aconteça, sem colocar sobre ele peso demais, pra não deixar ele se afastar muito numa obrigação que eu não queria.
Livre, sem peso e com sua própria vontade, esse é o amor que eu quero que olhe pra mim e que eu olhe pra ele vendo beleza na liberdade mostrada. Tudo que não seja assim eu nego e desisto de sentir... Caminho?
Durante toda a minha vida sempre que me vi perdendo parti para o mecanismo de obrigar (talvez tenha aprendido assim), obrigar as coisas que estão saindo do meu campo de visão por vontade delas a voltarem e permanecerem nele, muitas vezes elas voltam e permanecem, mas não estão mais e, muitas vezes eu preferi vê-las não estando, mas vê-las, do que saber que elas estão e são longe de mim. Que tudo parta quando tiver que partir, que tudo ame ou não ame quando tiver de ser... Assim, assim sim.