domingo, agosto 15, 2010

Na dúvida duvido!

quinta-feira, julho 29, 2010

fugir

Todo esse desencontro vem de um grande medo de fugir, não gosto de fugas, estejam elas fantasiadas do que estiverem, de grande sucesso ou de fracasso consentido.
Gosto do embate, do cara-a-cara, do ser, do não-fingimento, da não-mentira.
Então fujo, fujo da idéia de estar fugindo de alguma coisa, fujo de quem foge. E isso é uma fuga também?!
Estamos todos fugindo de/pra algum lugar.
Quero só ir

...

...
sei de quase tudo muito pouco
sei de quase nada muito
Os dias em que não vou são os dias que mais sou
...

segunda-feira, julho 05, 2010

Vida

Hoje, diante de um acontecimento inevitável me perguntei de novo: O que é a vida? O que é viver?
Porque temos tanto medo de abandonar algo que nem sabemos exatamente o que é?
Porque temos tanto medo de viver?
Não sei, fico tentando me explicar sobre o sofrimento, sobre as opressões e as renúncias, não entendo, não entendo...
Não entendo também o prolongamento de um sofrimento, de uma angústia.
Confuso...
Preciso aprender a viver?!?

segunda-feira, maio 31, 2010

Quando faz sentido...

Sinal Fechado

Paulinho da Viola


Olá, como vai ?

Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus..

sexta-feira, maio 28, 2010

quando os trabalhadores perderem a paciência

QUANDO OS TRABALHADORES PERDEREM A PACIÊNCIA

MAURO IASI

As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência


Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência


O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência


A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência


Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juizes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências


Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência


Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obscelescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
"declaro vaga a presidência"!

terça-feira, maio 25, 2010

lIBERDADE

Liberdade

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor
morrer sorrindo a murmurar teu nome.

...São Paulo, Presídio Especial, 1939...
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nenhuma dúvida, nenhuma angústia, nenhuma tristeza
saudade. saudade do que nunca foi dito, mas foi deixado...
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