Minha vida é um pouco estranha. Tenho a impressão de me irritar muito mais com as coisas do que as pessoas ao meu redor, isso é ruim, pois indica que estou muito estressada. Todos os dias quando saio de casa já me preparo para ter pelo menos um momento de raiva, de indignação, de incompreensão e assim venho levando a vida, pensando no que esses momentos significam, no que fazer com eles. Bem, o acontecimento do último dia 23 me fez ver que o mínimo que quero fazer é espalha-los. Por mais que isso possa soar como um alívio a minha consciência, e talvez o seja, eu quero falar disso para o maior número de pessoas que puder, porque outra peculiaridade da minha vida é ter uma porção de perguntas sem respostas.
23/12/2008, 10:00 AM, baixos do elevado Costa e Silva na altura da Rua Jaguaribe.
A equipe: cinco policiais civis devidamente paramentados com escudos e cassetetes, alguns fiscais da Prefeitura da Cidade de São Paulo, uma perua com caçamba e uma perua Kombi da supra-citada Prefeitura.
A ação: remoção de colchões e objetos pessoais dos moradores dos baixos do Elevado Costa e Silva.
A pergunta: para quem reclamar?
Eu poderia gastar as próximas linhas falando de como isso me revoltou, da confusão que me causou, do sentimento de impotência e de injustiça que me despertou, poderia falar de todas as análises socioeconomicoculturais que eu levantei, sobre a posição dos moradores dos baixos do Elevado Costa e Silva, sobre os direitos da Prefeitura de "manter a rua limpa", sobre a inexistência de ações dessa mesma Prefeitura para que aquelas pessoas tenham moradia, mas não vou, porque isso soa comum.
Prefiro dizer que liguei para o 156, que é a central de atendimento da Prefeitura da cidade de São Paulo, tentei reclamar sobre o que eu estava vendo e me perguntaram:
- Quem está retirando os colchões?
- O pessoal da Prefeitura!
- Então eu não posso registrar a reclamação.
- E o que eu faço?
- Tenta ligar pra sub-prefeitura da região. Algo mais?
Confesso que não tentei ligar para a sub-prefeitura, como muitos dos meus amigos e conhecidos já fui convencida de que isso não muda nada (fui?). Mas a pergunta persiste: para quem eu reclamo, onde exponho a minha revolta? Alguém mais acha isso injusto?
O silêncio continua.
23/12/2008, 10:00 AM, baixos do elevado Costa e Silva na altura da Rua Jaguaribe.
A equipe: cinco policiais civis devidamente paramentados com escudos e cassetetes, alguns fiscais da Prefeitura da Cidade de São Paulo, uma perua com caçamba e uma perua Kombi da supra-citada Prefeitura.
A ação: remoção de colchões e objetos pessoais dos moradores dos baixos do Elevado Costa e Silva.
A pergunta: para quem reclamar?
Eu poderia gastar as próximas linhas falando de como isso me revoltou, da confusão que me causou, do sentimento de impotência e de injustiça que me despertou, poderia falar de todas as análises socioeconomicoculturais que eu levantei, sobre a posição dos moradores dos baixos do Elevado Costa e Silva, sobre os direitos da Prefeitura de "manter a rua limpa", sobre a inexistência de ações dessa mesma Prefeitura para que aquelas pessoas tenham moradia, mas não vou, porque isso soa comum.
Prefiro dizer que liguei para o 156, que é a central de atendimento da Prefeitura da cidade de São Paulo, tentei reclamar sobre o que eu estava vendo e me perguntaram:
- Quem está retirando os colchões?
- O pessoal da Prefeitura!
- Então eu não posso registrar a reclamação.
- E o que eu faço?
- Tenta ligar pra sub-prefeitura da região. Algo mais?
Confesso que não tentei ligar para a sub-prefeitura, como muitos dos meus amigos e conhecidos já fui convencida de que isso não muda nada (fui?). Mas a pergunta persiste: para quem eu reclamo, onde exponho a minha revolta? Alguém mais acha isso injusto?
O silêncio continua.
